TETRAPLÉGICO USA IMPLANTE CEREBRAL PARA MOVER APARELHOS ELETRÔNICOS COM O PENSAMENTO

Um homem, paralisado dos pés à cabeça, controlando equipamentos eletrônicos, por meio de um pequeno sensor implantado em seu cérebro.

Tudo nos leva a crer que tal cena se trata de pura ficção científica, ou então mero delírio criativo de uma pessoa com imaginação fértil.

A realidade e o sucesso do experimento, no entanto, foram divulgados recentemente por cientistas americanos, que usaram, como cobaia, Mathew Nagle, tetraplégico em virtude de um esfaqueamento ocorrido há cinco anos e portador de uma lesão medular que impede a passagem dos impulsos nervosos do cérebro para a musculatura dos braços e pernas.

O rapaz de 26 anos, primeiro ser humano a receber o implante, foi capaz de alterar o volume e alternar os canais de um aparelho de TV, controlar o braço de um robô, abrir e fechar dedos da prótese de uma mão, conseguindo, também, acessar e-mails, brincar com um jogo de ping-pong e desenhar um círculo, na tela de um computador.

Mathew, que diz não sentir qualquer dor ou desconforto em decorrência do microship alojado em seu cérebro, dominou a técnica de controle remoto, através dos pensamentos, em apenas 4 dias.

Foto: Rick Friedman
Mathew Nagle, e o círculo desenhado na tela do computador, através da força do pensamento.

Há registro de experiências semelhantes com macacos e pessoas, mas a tecnologia utilizada em Mathew é, definitivamente, mais complexa e inovadora. O sensor, implantado na área do cérebro responsável pelo movimento dos braços, mede 4 mm², contem 100 minúsculos eletrodos e foi conectado a um pedestal que emerge da porção superior de seu crânio.

Para que o equipamento possa ser utilizado, cabos são conectados entre o pedestal e um computador, interligando o sensor a um sistema operacional. A partir dai, Mathew deve imaginar o movimento de seus braços, cabendo ao sensor interpretar os sinais elétricos emitidos pelos neurônios do córtex motor.

Mas nem tudo é positivo no projeto, cuja autoria é de John Donoghue, professor de neurociência da Brown University, em Massachusetts. Além da característica invasiva do sistema (denominado “BrainGate”), que pode, inclusive, acarretar infecções, observou-se freqüente deterioração da habilidade dos eletrodos em detectar os impulsos eletromagnéticos, depois de alguns meses, por razões ainda não totalmente conhecidas. Os testes com Mathew, além disso, requerem calibragem diária do sistema, que dura cerca de trinta minutos.

Os cientistas, de toda forma, defendem que a pesquisa foi importantíssima, pois mostrou que os neurônios no córtex motor do jovem tetraplégico ainda se encontravam ativos, ainda que não mais estivessem desempenhando a tarefa de movimentar seus braços.

Os resultados observados podem parecer modestos, mas oferecem grande esperança às vítimas de ferimentos na medula espinhal ou outros problemas que determinem a limitação de movimentos, na medida em que as tornarão menos dependentes e mais capazes de se comunicar.
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Clique aqui e assista vídeos de Mathew Nagle controlando equipamentos eletrônicos com o pensamento

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Espero que a alta tecnologia nos leve a um lugar melhor e não pior de se viver...

bjs

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